Criando um sistema operacional básico

Data: 28/06/2009
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Criando um sistema operacional básico

Neste tutorial, vamos mostrar os passos básicos para criar um mini sistema operacional de 16 bits para x86, inteiramente programado do zero, em Assembly.

Não vamos ensinar nada sobre a linguagem de programação em si, então é recomendável ter algum conhecimento sobre ela.

Vamos fazer algo bem básico, mas suficiente para você entender como é o
funcionamento de um SO. Faremos apenas uma mensagem de texto ser exibida na tela, parece pouco, mas verá que a coisa não é tão simples assim.

Veja os aplicativos necessários abaixo:

Para programar o sistema, vamos usar o Emu8086, um ótimo emulador de 8086, com
capacidade de compilar, fazer debug e, claro, emular o sistema ( para não ter que ficar
reiniciando o computador toda hora para testar ). Baixe-o endereço abaixo:

Ele não é gratuito, tem um prazo de 90 dias para testar, mas é suficiente para o tutorial.

Em seguida, baixe mais 2 aplicativos, que vamos usar para gravar nosso SO em um disquete e dar o boot por ele:

Fergo RawImage Maker - DOWNLOAD

RawWriteWin - http://www.chrysocome.net/rawwrite
O local de instalação desses aplicativos fica a sua escolha, não tem um local específico
para instalar. Vamos em frente, para uma breve explicação sobre o processo de boot.

PROCESSO DE BOOT

Geralmente, após o término da checagem de Hardware, o computador busca pelos
512 bytes gravados no primeiro setor do disquete ( Cabeça: 0, Trilha: 0, Setor: 1 ). Caso
não encontre, ele busca por um sistema operacional na MBR ( Master Boot Record ) do
seu HD.

É importante que, para testar o SO, você configure a BIOS para “bootar” o disquete
antes de qualquer outro dispositivo ( HD, CDROM, USB, etc… ).

Se ele encontrar algum sistema nesses 512 bytes do disquete, ele o carrega na
memória no endereço 0000:7C00h. Vamos ver como funciona esses endereços de
memória.

Quando se usa o formato xxxx:yyyy, você está trabalhando com endereços relativos,
sendo que a primeira seqüência representa o que chamamos de Segment e a segunda,
Offset.

Para calcular o endereço físico, real, é feito o seguinte cálculo ( lembre-se que
estamos trabalhando com números hexadecimais, indicado pelo ‘h’ após o último
algarismo.

Segment * 16h + Offset = Endereço físico

Tomando como exemplo o local onde a BIOS carrega o sistema operacional, podemos
calcular o endereço físico real através do cálculo:

0000h * 16h + 7C00h = 7C00h

Nosso sistema é carregado no endereço físico da memória 7C00h. É bom lembrar que
diferentes segments e offsets podem gerar o mesmo endereço físico. Por exemplo:

0000:7C00h = 07C0:0000h

Qual a importância de saber sobre esses endereços? Bom, é por eles que você vai
controlar seu programa. Você pode usar endereços físicos diretamente, mas usando
no formato de segment/offset você consegue organizar melhor as posições de
memória.

O endereço físico também é importante para saber onde podemos, ou onde não
podemos gravar os dados na memória. A BIOS reserva um trecho de memória baixa (
640KB ) para que você use-o livremente.

Esse trecho vai do endereço físico 00500h até A0000h. Ou seja, você não deve gravar nada antes do endereço 00500h e nem após A0000 ( são locais reservados para memória de vídeo, bios, vetores de interrupts, etc… ).

Voltando ao boot. Ele carrega os 512 bytes do primeiro setor na memória. Certo, e o SO tiver mais de 512 bytes? Aí nos vamos precisar de um Loader, que é basicamente uma seqüência de instruções ( com no máximo 512 bytes para caber no primeiro setor ), que é responsável por carregar o Kernel do disco para a memória. Vamos usar um para o nosso SO ( apesar de não precisar nesse caso ).

INTERRUPTS

Citamos na introdução que não iriamos explicar sobre a linguagem Assembly, mas acho que
Interrupts é algo importante para ressaltar.

Interrupt, no caso do Assembly, é uma instrução que paralisa o código atual para que
alguma ação seja realizada ( chamamos isso de IRQ – Interruption Request ). Se for
para comparar com algo nas linguagens de alto nível, podemos comparar ele com uma
função, que é chamada, executa suas instruções, e depois retorna para o código onde
ela foi chamada.

Todo computador na arquitetura x86 possui diversos interrupts, controlados pela BIOS.
Os interrupts são compostos por uma função e uma subfunção. Por exemplo, para
trabalhar com o vídeo, é usado o interrupt 10h. E a operação a ser realizada no vídeo (
subfunção ), depende do valor de algum registrador ( normalmente AH ).

Veja o exemplo abaixo que imprime um caractere na tela:

mov ah, 0Eh ; subfunção que indica para imprimir texto
mov al, ‘A’ ; caractere a ser impresso
int 10h ; interrupção de vídeo

Para sabermos o que cada interrupt faz, quais os argumentos e quais registradores estão
envolvidos? Indicamos este site:

http://www.htl-steyr.ac.at/~morg/pcinfo/hardware/interrupts/inte1at0.htm

Vamos usar Interrupts para imprimir caracteres na tela, para buscar por teclas
pressionadas, para alterar o modo de vídeo, etc. Dá pra notar que entender o seu
funcionamento é fundamental para prosseguir com este tutorial.
Vamos por a mão na massa agora.

CRIANDO O LOADER

O Loader basicamente consiste num conjunto de instruções que devem caber no
primeiro setor do disquete ( 512b ) e que lê os outros setores do disquete ( onde está o
Kernel e o resto do código ) para a memória.

O nosso código precisa configurar algumas coisas básicas para que tudo funcione
corretamente. Precisamos ter uma pilha de dados ( Stack ). Se você programa em
Assembly, deve saber o que é uma pilha, como ela funciona, e para que é usada.

Os registradores envolvidos com a pilha são os seguintes:

SS -> Stack Segment -> Aponta para o segmento onde está a pilha
SP -> Stack Pointer -> Aponta para determinada região da pilha ( normalmente o topo )

Além da pilha, é necessário indicar onde está o nosso segmento de dados

DS -> Data Segment -> Aponta para a base de dados ( usado sempre que for acessar
algum endereço de memória ).

Vamos organizar nossa memória da seguinte maneira:

Memória: 07C0:0000 até 07C0:01FF Descrição: Local onde foi carregado o bootloader
Memória: 07C0:0200 até 07C0:03FF Descrição: Pilha
Memória: 0800:0000 em diante Descrição: Nosso Kernel

Essa estrutura da memória é a mesma utilizada no site do Emu8086, pois é bem
didática e segue uma seqüência lógica. Claro que vai ficar um bom trecho sobrando (
de 0500 até 7C00 ), mas por enquanto é suficiente.

Então eis a seqüência que vamos usar no nosso Loader

  • Determina a pilha e seus registradores
  • Indica o segmento de dados
  • Altera o formato de vídeo para 80×25 ( 80 colunas, 25 linhas )
  • Lê o setor do disquete onde está o Kernel
  • Escreve os dados lidos no endereço 0800:0000
  • Pula para este endereço e passa o controle para o Kernel

Abra o Emu8086, selecione ‘New’ e marque a opção ‘Empty Workspace’. Em seguida,
digite o código aseguir (os comentários sobre o que cada instrução
faz no próprio código ) Veja:

Criando um sistema operacional básico

Observações:

O número de setores a serem lidos varia com o tamanho do Kernel. Cada setor tem 512 bytes. Então se o Kernel tiver 512 bytes ou menos, basta ler 1 setor. Se tiver 700 bytes, precisa ler 2 setores e assim por diante.

Caso tenha surgido alguma dúvida quanto aos valores, vá até o site com a lista de
interrupts que indicamos e analise a Int em questão.

Salve este código e compile através do botão ‘compile’ na barra de ferramentas. Ele vai
perguntar onde você deseja salvar o arquivo ( que vai ter a extensão .bin ). Dê um
nome qualquer ( algo como loader.bin ) e salve no diretório que desejar.

Criando um sistema operacional básico

CRIANDO O KERNEL

Nosso Kernel vai ser o mais simples possível. Vai apenas escrever um texto na tela e aguardar que o usuário pressione alguma tecla para reiniciar o computador. Parece pouco, mas é suficiente pra você entender como um sistema básico funciona.

Se precisar que o Kernel faça algo mais ( claro que vai querer ), você já vai ter conhecimento suficiente para poder usar outros interrupts e trabalhar melhor com a memória, etc.

Criando um sistema operacional básico
Novamente, se tiver alguma dúvida quando a esse código ( que não seja relativo a sintaxe e os comandos do Assembly ), volte ao site com a lista de interrupts.

Depois de pronto, salve o arquivo e compile, da mesma forma como fez no Loader.
Claro, escolha outro nome ( kernel.bin talvez ). Procure manter os arquivos em uma
mesma pasta, pra manter organizado.

Nosso mini sistema operacional está pronto. Só falta grava-lo no disquete e testar. :)

GRAVANDO E TESTANDO

Com os binários do Loader e do Kernel em mãos, vamos criar uma imagem para ser
gravada no disquete. Vamos usar agora o programa Fergo RawImage Maker.

OBS.: Se precisar, baixe as VB6 Runtime Libraries.

Execute o programa. A interface é bem simples e intuitiva. Siga estes passos para criar
a imagem.

Criando um sistema operacional básico

  • Escolha o arquivo de destino ( 1 )
  • Selecione o loader.bin na segunda caixa de texto ( 2 )
  • Marque Head = 0, Cylinder = 0 e Sector = 1 ( 3 )
  • Clique em Add ( 4 )
  • Selecione o kernel.bin na segunda caixa de texto ( 2 )
  • Marque Head = 0, Cylinder = 0 e Sector = 2 ( 3 )
  • Clique em Add ( 4 )
  • E em seguida clique em ‘Create File!’ ( 5 )

Preste bastante atenção nos setores que você for gravar. Verifique se o resultado final
ficou semelhante ao da lista na imagem. Se tudo ocorreu bem, deve ter aparecido uma mensagem indicando que o arquivo foi criado com sucesso.

Agora temos que gravar a nossa imagem no disquete. Insira um disquete de 3.5” no
drive A: e abra o programa RawWriteWin. Configure o caminho para a imagem que
você acabou de criar ( tutorial.img no nosso caso) e clique em ‘Write’.

Criando um sistema operacional básico

Se o disquete estiver em bom estado e você seguiu os passos corretamente, deverá
receber novamente uma mensagem indicando que a imagem foi gravada com sucesso
no disquete ( certifique de que ele não está protegido contra gravação ).

Agora basta testar. Coloque o disquete no drive, reinicie o micro, configure para que a
BIOS dê o boot pelo disquete e se deu tudo certo, você vai ver a seguinte mensagem após o boot:

Criando um sistema operacional básico

Se esta mensagem apareceu, parabéns, você fez tudo corretamente. Caso ela não
tenha aparecido, releia o tutorial que com certeza você encontrará onde está o
erro. Caso contrário deixe um comentário

Por fim, Esperamos ter ajudado aqueles iniciantes, como nós, que sempre tiveram vontade de saber como fazer um sistema operacional e como ele se comporta.

Claro que este foi o exemplo mais básico, apenas o ponta pé inicial, mas com certeza isso já é suficiente para você avançar mais um pouco. Sugerimos tentar implementar agora alguns comandos no seu SO, como ‘Clear Screen’, ‘Reboot’, ‘Help’, etc.
Boa sorte e até a próxima!

By: Fergonez

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