Desenvolvedor enfrenta sentença de morte no Irã após “criar” site pornográfico

Nós brasileiros fazemos parte de uma sociedade online “livre”, e podemos fazer o que bem entendemos na internet dentro do conceito de ética empregado no país. Há, no entanto, países onde a internet é altamente controlada e regulamentada, como o Irã, reconhecido por aplicar normas de acesso rígidas para seus internautas.

O país do Oriente Médio se envolveu agora em mais um caso de polêmica para o resto do mundo que tem lutado para garantir a liberdade de expressão na web. Saeed Malekpour, um programador web iraniano de 35 anos, foi condenado à morte de estrangulamento sob a acusação de insultar a santidade do Islã. Malekpour, residente no Canadá, foi preso em 2008 quando estava visitando seu pai em Teerã, Irã.

A condenação do programador é o resultado do desenvolvimento de um software para upload de fotos, que estava então sendo utilizado por um site pornográfico sem o seu consentimento. Malekpour passou seu primeiro ano (19 meses) de prisão na solitária, sem acusações feitas contra ele.

Desenvolvedor enfrenta sentença de morte no Irã após criar site pornográfico

Saeed Malekpour e sua esposa, Fatima Eftekhari.

Encarando momentos de tortura, o rapaz contou que acabou sendo forçado a fazer uma confissão, dizendo que tinha comprado um software da Inglaterra para vender em seu site. Com isso o Supremo Tribunal iraniano cancelou o pedido de condenação à morte em Junho de 2011. Malekpour escreveu uma carta da prisão dizendo:

“Eles me fizeram fazer uma falsa confissão da compra de um software da Inglaterra, e que o coloquei para vender no meu site. Fui forçado a dizer que quando alguém visitava meu site o software automaticamente se instalava no computador da pessoa sem ela saber, e ganhava controle da webcam, mesmo com ela desligada. Apesar de ter argumentado que o que eles sugeriam eram impossível de qualquer ponto de vista tecnológico, eles responderam que eu não deveria me preocupar com isso”.

Quando o cancelamento de sua morte veio à tona, o caso de Malekpour começou a passar por uma nova revisão; o sistema judicial iraniano é ponderado contra pessoas acusadas de crimes. Seus advogados recorreram novamente ao Supremo Tribunal para um inquérito, que foi rejeitado na segunda-feira. A preocupação agora é que a sentença de morte do programador continua considerada.

Mohammad Reza Pour Shajari, blogueiro iraniano de 50 anos, tem um caso semelhante. Ele foi acusado pelas autoridades do Irã por ter insultado o profeta do país e mostrar “inimizade contra Deus” ou “travar guerra contra Deus”. Seu julgamento em 24 de dezembro de 2011 durou apenas 15 minutos, e Shajari também pode ser condenado à morte.

Com informações: TNWGlobal Voices

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